terça-feira, 10 de julho de 2012

Primeiras páginas #01





Talvez vire um livro particular, garanto que há algumas continuações e até o momento um fim indefinido.


Então vamos ao texto....


#01
Ela entrou na galeria indo à livraria, parou de costas para a rua movimentada cheia de bares, cinemas e lojas alternativas de moda, procurava delicadamente algum livro de seu interesse.

Nesse momento cinco rapazes desciam a rua rindo até escolherem um bar, pediram uma cerveja e Alberto sentou bem na ponta da mesa na calçada, onde tinha visão privilegiada da circulação da galeria. Foi quando ao vê-la de costas, notou ansiedade e simpatia em seu peito. Parecia ser amor à primeira vista. 

Ela estava com vestido vermelho bem verão, cabelos castanhos claros na altura do ombro, tinha a pele levemente iluminada e gesticulava com o vendedor, agora com o livro na mão. Há muito tempo que Alberto não interessara por alguma mulher, muito menos de costas. Sentiu uma vontade de fingir a compra de um livro e conversar com aquela moça.

Ao tempo em que, ela pegava a sacola e suavemente virava em direção ao café, sentando-se de lado para a rua sem perceber a agitação a sua volta. Alberto fica surpreso, pois aquela mulher já fora seu grande amor. Namoraram por oito anos, entre o período do colégio e faculdade. O fim do relacionamento foi gradativo, talvez, prematuro, começaram a se distanciar, planejar outra vida e ansiar por objetivos individuais. Na época significou um término bem difícil, mas o tempo se encarregou de fazê-los seguir em frente.

Assustado com a infeliz coincidência, pois jamais falaria com ela novamente, sentia-se culpado pelos péssimos momentos que existiu no passado. Pensou em quantos anos ela teria e se era casada ou mãe. Além, das inexoráveis sensações daquela tarde, ficou bravo consigo mesmo, por se apaixonar novamente pela mesma pessoa, anos depois.

Alberto perdido nos próprios pensamentos queria abraça-la, sentar ao lado e observar o que fazia. Olhar bem no fundo de seus olhos e dizer que não a esqueceu, nem por um segundo, mas era covarde suficiente para ficar imóvel e só observa-la.


— Então Beto, você também concorda não é? — fala um dos amigos de Alberto — Beto?
— Desculpe, estou com a cabeça em outro lugar. Vocês se lembram da Manu?
— Quem? A Manu do colégio?
— A que fez facu com você?
— Isso mesmo. Olha ela lá! — responde Beto

Os meninos, todos ao mesmo tempo inclinaram o corpo até conseguir enxerga-la.
— Nossa como sempre ela está linda
— Já deve ter casado
— Você vai falar o que para ela?
— Não sei se vou falar com ela — murmura Beto, com certa dúvida.
— Como assim?
— ah! Vai lá dar um “oi”
— Acho q ela viraria a cara para mim e me olharia com muito ódio
— Como pode achar isso? Faz muito tempo que não se encontram. Deve ter esquecido você.

Ele começou a desligar-se da conversa com os amigos outra vez e não conseguia parar de pensar se ela realmente poderia ter esquecido o passado. De fato, seus sentimentos estavam confusos naquela hora. Na verdade, Alberto sempre fora confuso com o que sentia. Parecia viver de paixões e de não amores.

Ela fecha o bloco, toma seu último gole de café, paga a conta e levanta-se em direção a saída. Sentiu a garganta seca e um frio no estômago quando o viu ali sentado na mesa do bar. Seus olhos se encontraram e o dela encheu-se de lágrimas. Atordoada com a situação esbarra em uma moça, derrubando sua sacola. Ela agacha para ajudar a recolher os objetos que caíram no chão e volta estática ao encontro dos olhos de Alberto, que também enche de lágrimas.

Continua....

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