quarta-feira, 27 de junho de 2012

memórias

Ouvia alguns passos distantes, vozes, no qual não reconhecia. Estava impaciente, paralítica em algum lugar que não sabia.
- Vocês estão prontos? Tem certeza?
- Sim
Os vi, perplexos, chocados e num choro de dor constante. Meus olhos falavam em vão:
- Mãe, Pai? Posso vê-los. Desculpe não queria estar aqui. Não chorem. Estou bem.
Não conseguia me mexer. Era um lugar frio, sem vida. No meu choro não havia lágrimas. Queria dizer mais coisas, queria dizer que os amava e sentiria saudade.
- É ela.
- Sinto muito. Espero que compreendam e possam se recuperar.
Nesse momento o médico fecha uma das muitas gavetas de alumínio. Ouço os passos pesados de meus pais que some gradativamente, o médico tira a luva e se faz silêncio novamente.

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