sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Ingênua

Ela toda entusiasmada chegou perto de mim rindo e disse:

― Vc não vai acreditar acabei de colocar uma semente na terra. Tenho certeza que vai crescer uma árvore linda com flores rosa e poderemos sentar debaixo dela daqui uns 10 anos e ficar abraçados na sombra.

Eu terminava de vestir a camiseta e olhava confuso para ela. A cortina branca na janela balançava suave com o evento.

― Não é uma ideia ótima termos uma árvore no nosso quintal? ― Ela disse enquanto se olhava na frente do espelho. Sempre linda e suave.

Segurei firme em sua cintura por trás num abraço longo e desesperado, para que ela se diluísse em mim e de certa forma se confundisse comigo, ao ponto que nem saberíamos quem é quem.

― É uma excelente ideia. Depois poderíamos colocar uma casa de passarinho na árvore. Assim ela nunca ficaria sozinha. ― Eu dizia isso a enchendo de beijos pelo pescoço e rosto. Sentia-me estupidamente feliz.

Depois que ela saiu da frente do espelho, colocou algumas roupas em uma bolsa grande, olhou pela última vez a janela e creio que como eu agora, tenha visto a árvore. Com olhos cheios d’água olhou tão doce pra mim antes de bater a porta e nunca mais voltar, justamente por eu não ter feito o que queria. Abraça-la com um longo e desesperado abraço que a diluísse em mim e confundisse comigo ao ponto em que não saberíamos quem é quem.

Hoje quando olho para aquela mesma janela e vejo a árvore tão linda e radiante, tenho vontade de abraça-la como se ela ainda pudesse existir em toda aquela ausência que ficou no espaço mudo.


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