Manu agora balzaca passou a frequentar muitas festas sem miséria com as drogas e as bebidas. Sempre “chapada” discutia o neoliberalismo e o movimento opart. Parecia uma sereia no meio de pescadores inebriados pelo seu canto. Mexia no cabelo, mordia os lábios, erguia a sobrancelha quando queria crer numa nova ideia.
Chegava ao seu quarto, tropeçando em si mesma, praticamente todas as noites, nunca acertava a chave e ria por horas até a dona da casa descer as escadas de pijama, resmungando sobre os jovens idiotas que não davam valor para o silêncio e que muito a incomodava ter que preparar o café antes das seis da manhã.
Enquanto Manu quebrava o limite do “comportamento adequado” e dos costumes morais, Beto experimenta o ritmo do blues, com charuto e uísque, costume, do qual nunca mais abandonou. Apaixonou-se por diversas pernas lindas, muito mais lindas que a de Carlinha, que também olhou de baixo para cima o pôster do filme Laranja Mecânica, de Kubrick, que tinha em cima da sua cama.
Por mais que descobrissem um mundo novo a cada dia, quando deitavam a cabeça no travesseiro, pensavam em como seriam suas vidas se estivessem juntos. Em uma dessas “boas noites”, com o dia já nascendo foi que Beto ao se despedir de uma garota na porta de seu quarto, viu a porta do quarto de Manu levemente aberta. Apesar de morarem na mesma pensão, quase não se encontrava e quando acontecia ignoravam a infeliz troca de olhares.
Depois deste dia vontade de se falarem não faltou, os encontros no corredor eram cheios de esperança e boas recordações, passaram a esboçar um sorriso sem graça quando se viam, a evitar outras companhias que não fossem o vinho e a música, a abraçarem o travesseiro e ouvir os passos do outro para improvisarem um encontro sem querer, porém não tinham coragem de assumir que precisavam um ao outro para completar algo em suas vidas que também não sabiam o que era.
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