Vejo o teto branco e uma fresta de luz que entra pela janela, numa manhã nublada sem novidade. Tiro o lençol macio do corpo quente, mas devolvo-o já que a intenção é não sair da cama.
Encosto meus pés no dele, depois as mãos. Controlo a respiração para não ecoar no quarto já iluminado pelo sol, não quero me levantar e muito menos que ele levante, mas preciso tomar um café, escovar os dentes, responder alguns e-mails, confirmar o encontro desta noite.
Ele acorda enquanto observo o teto, me olha, eu olho. Fica um silêncio que por si só já diz muitas coisas, uma delas é que não há silêncio, nessa hora nascem os pensamentos, eles choram, riem, te abusam, usam seu intelecto para nascerem, escorregam, fazem barulho e num gemido pequeno e contido saem de você com tom delicado, num sorriso de canto depois de molhar a boca com a língua e como música sem melodia repetimos:
- Bom dia.

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