A vida é como um filme fotográfico, depois que bateu a foto, não tem volta. Então indignados inventaram a máquina digital, que por sua vez, não volta à foto, mas você pode excluí-la e tentar novamente. Porém, quando o filme fotográfico é usado, cada foto é pensada com carinho e tirada com amor, diferente da câmera digital que dispensa a preocupação se a foto vai ou não ficar boa, se suas atitudes vão ou não chatear alguém. Você simplesmente bate a foto e depois pensa nas consequências e talvez depois perceba que podia captar detalhes que fariam a diferença, mas não, a excitação de fazer aquele momento acontecer foi mais rápido do que qualquer outra coisa.
A verdade é que substituímos a qualidade pela quantidade, o amor pelo sexo casual, família por "morar junto", sinceridade por impulso, câmera analógica por digital e substituímos também pessoas especiais por minutos de diversão. E então vem a parte final, que ninguém nos conta, que dificilmente aprendemos sozinho, não tivemos tempo ou paciência para aprender. Quando você usa o filme se cria a expectativa daquilo dar certo, de ver as fotos reveladas e de compartilhar com outras pessoas, mas quando usa a câmera digital as fotos são guardadas em um CD ou na pasta do seu desktop e esquecemos que elas estão ali somente para fazê-lo lembrar de que você não as tornou reais, pois não as revelou.
Toda essa presunção sobre câmeras analógicas, digitas, filmes ou cartão SD poderiam nos permitir muitas comparações na forma como lidamos com os relacionamentos, sejam amorosos ou não. O que muda é a forma como enxergamos e agimos com as situações novas e com isso impactará nas nossas atitudes.
Espero que todos nós possamos revelar nossos filmes, com a mesma intensidade da qual tiramos nossas fotos e as deixamos impressa na vida de outras pessoas.
2 comentários:
Excelente texto e analogia, amei o útltimo parágrafo. E consegui interpretar o 'tiramos' de duas formas: a motivação de um dia conseguir revelar com intensidade / a intensidade com a qual tiramos uma foto impressa na vida de outra pessoa.
Oi anônimo de segunda-feira.
Obrigada pelo comentário e elogio :)
Não sei se chegará a ver o meu, mas como tudo na vida existe o lado bom e ruim. Nesse caso, o lado ruim é que sempre criamos muitas expectativas com os nossos filmes e as chances de decepção e confusão são sempre maiores. Mas como dizia Fernando Pessoa, "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" então que façamos nossas escolhas com intensidade, mesmo que não vá fazer diferença para outra pessoa, fará para nós.
Abraços e uma ótima semana!
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