Imagine um muro largo, bem comprido e tão branco que chegava a ofuscar todo o resto. A rua era tranquila, com árvores antigas de copas enormes.
Por essa rua passaram alguns hippies “genuínos” e inspirados pela paz e amor que sentiam pelo mundo. E viram que aquele muro tão limpo, tão enorme e sem história esperava ser apreciado pelos que ali caminhavam.
Sem hesitar eles desenharam as mais belas memórias de lindos contos de amor, desenhos que remetiam os mais nobres sentimentos.
O muro ganhou flores, esperança, amor, admiração, respeito, paz e alegria. Encantava os olhos de todos que o viam. Era simplesmente fantástico!
Até que um dia a rua estava sem movimento e as pessoas distantes. Só se via arruaceiros jogando tinta preta naquele muro que nada havia feito para ninguém. Nesse dia a escuridão tomou conta da rua. Estavam todos chocados com aquela violência gratuita.
Fizeram de tudo e nada trouxe o desenho de volta. No lugar, haviam manchas pretas que se misturavam com as poucas cores que restou.
Para voltar ao passado era preciso tornar-se branco, porém a pureza da cor jamais seria igual, uma vez que usaram seu concreto para simbolizar o amor e o ódio, nada mais poderia ser igual.
6/6/12
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